segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Conto: Desafio!:)....enviado

DESAFIO:

                “Estou inteiramente ao seu dispor”. Gostaria que começasse por onde? Pelo começo, é claro. Pois então, nasci há vinte e nove anos, não conheci meu pai, acho ainda que pode ser qualquer homem que tenha conhecido. Minha mãe, não. Sempre foi uma mulher batalhadora, trabalhadora. Podia até não ser muito bem vista pela cidade – você sabe cidade pequena, provinciana. Uma puta não é muito bem recebida, muito embora quando tinha algum aniversário, ou qualquer tipo de festa, todas encomendavam os doces para ela. Se estudei? Mais ou menos, as garotas na casa onde eu morava me ensinaram a ler, escrever, um pouco de matemática, e coisas da vida que elas sabiam bem. Mas isso não é coisa para ser falada aqui, não é? Tem certeza que não quer um refrigerante?
                O homem sentado na poltrona maior do que ele não se sentia confortável. À sua frente uma moça loira, alta, cabelos longos, vestida com um roupão entreaberto mostrando um colo opulento, braços e coxas grossas, até onde poderia ser visto.
                “Então deixe que continue. Onde estava? Bem! Quan já estava mais crescidinha minha mãe me mandou para a casa de uma tia lá para os lados de Araçatuba. Foi uma mudança grande e repentina. Um sobrado bonito em uma chácara que tinha inclusive cavalo e alguns porquinhos. Não ia muito com as minhas primas, umas esnobes. Mas pelo menos estudei o Primário e o Colegial. Da cidade gostei logo de cara, e dos rapazes também. Via minhas v primas tão desenxabida. Eu já era um mulherão naquela época. Namoros Até que não tive muitos, só sexo á beira do riacho, na grama, até na cama dos pais de um deles. Foi exatamente por isso que um dia minha tia Gleise disse que iria me devolver para a minha mãe. Dois dias depois eu fugi. Peguei o primeiro ônibus e fui dar em Campinas. Lá trabalhei como empregada domestica caixa e segurança em uma escola. Foi lá também, que a coisa degringolou.”
                O rapaz era repórter de um jornal de bairro, mexeu-se na poltrona, engoliu em seco e pediu um refrigerante.
                “Sabe o que aconteceu? O pai de um dos alunos veio com umas gracinhas para cima de mim. Falei para me respeitar, para não fazer aquilo que ele poderia se arrepender. Mas o safado não se endireitou, e eu tive de ensina-lo. Quem sabe se fosse a outro tempo eu até aceitasse aquelas brincadeiras, mas ali era meu trabalho, e os meninos não poderiam ver aquilo. Acabei dando uma surra no desgraçado, que acabou me custando o emprego. Além disso, a minha senhoria me despejou e me mandou embora. Mas como minha santa mãezinha dizia” há males que vem para o bem. “Um sujeito que já estava de olho em todos estes materiais (falava enquanto passava languidamente as mãos pelo corpo – me ofereceu v trabalho como segurança em uma boate de segunda ou terceira não me lembra, em uma cidade perto de Campinas)”. Como estava precisando de trabalho, nem pestanejei. Depois a coisa piorou. Esperta um pouco, agora é minha vez de beber.
                Samarra – este era o nome- virou um copo de refrigerante, o suficiente para que caisse3 um pouco em seu corpo, e continuou:
                “Que bom, não acha? Pois então, lá estava eu, toda paramentada, na porta de uma boate que inclusive tinha o nome prosaico de Meat the Girls”. Era o tipo de lugar barra pesada. Fui logo me enturmando com as outras garotas, para algumas até cheguei a dar conselhos – imagine eu dando conse3lhos para mulheres que já haviam passado bem dos trinta anos. Mas havia também de ser brava o bastante para resolver as coisas no braço.  Briguei com muitos marmanjos (alguns até tive medo de enfrentar, mas outros estavam tão chumbados que era fácil faze-los dormir) Se bati em mulheres? Claro, safadinho. Chegapara bater nos machos delas e se elas viessem para cima eu batia nelas também. Se houve algum problema comigo que lembre?  Deixe me ver – passava a língua provocantemente pelos lábios até que voltou a falar. – bem, assim tipo bate- pronto posso me lembrar de um negro com corpo de estivador, camisa aberta, um berloque amarelo grande no peito e um punho fechado que acho se me acertasse dormiria uns três dias. v Sem duvida foi o sujeito mais difícil que eu já enfrentei.  O cara parecia um touro. Tentou me esmurrar umas três vezes, mas se não fosse as minhas lições de Taikondo o cara me teria quebrada toda. Sabe o que foi o mais engraçado?  Depois de ter feito beijar o chão, acabei arranjando emprego de leão de chácara lá na boate – o cara acabou sendo um dos meus maiores amigos.  Agora tinha uma loira, daquelas parecidas com alemãs de desenho e filmes, daquelas guardas sádicas de campo de concentração. Acho que se chamava Bertha (embora viesse a descobrir que se chamava Gertrudes e era uma eximia miniaturista). Pois esta foi, sem sombra de dúvidas a pessoa mais difícil com quem tive o prazer de enfrentar. Porque disse prazer?  Ora, não são vocês que se excitam com o toque da nossa pele e os corpos naqueles corpos peludos ou sarados. DE vez em quando o toque de peito com peito e xana com xana também excita. Mas estou fugindo do assunto. O negócio começou quando ela me empurrou na porta da boate, e o dono falou baixinho “Esta é Berta, ela gosta de barraco, e seu divertimento é desafiar mulheres para lutar. E pelo jeito já arranjou à adversária.” Dito e feito, aquela frauléis grande, forte, sarada, chegou perto de mim e disse “ Carne fresca ! Olha franguinha, todo mundo aqui  me conhece , e sabe do que eu gosto . Por isto estou te desafiando  PARA ME ENFRENTAR AGORA  lá no centro  da boate”. O dono da boate só faltou bater palmas, até tive a impressão que ele babava. Naquele momento não havia outra saída senão aceitar. E lá fomos-nos- Samarra parou outros instantes – esta passando bem?  Tem certeza que posso continuar? Depois não vá dizer que não avisei. “Espera um pouco para bebermos alguma coisa.”
                “Bem. Agora não havia como fugir. Bertha estava á um canto do salão, tirando à calça, o casaco, a camisa, flexionando os músculos do braço” Como é! A franguinha esta com medinho? Deixa a mamãe te acalmar. “A mulher só aguardou que eu ficasse quase nua e me atacou. Derrubou-me, prendeu meu pescoço com aqueles braços –“ a franguinha não é de nada. “Na próxima vou desafiar um homem”. Olha, não sei  de onde veio  aquela força. Acho  que foi a raiva. Também não sei como consegui , fui  firmando as minhas pernas , levantando  lentamente enquanto  com as minhas mãos   fui soltando os braços. Quando  me senti  mais solta , virei de repente  e dei  dois socos na Bertha, ela me olhou  um tanto incrédula , mas  de novo  veio para cima de mim . Ainda hoje continuo sem saber  como consegui  dar aqueles dois chutes na cara dela . Quando  tentei repetir  ela pegou meu pé e jogou de lado , o resto  do meu corpo, é claro, seguiu junto , mas seus braços me pararam de novo , trançou minhas pernas  na sua perna e nos caímos. Estava imobilizada - “A franguinha é valente, mas a luta esta começando a me cansar. Acho que vou acabar logo com isso.” Levantou-me segurando pelos meus braços, se ela conseguisse também prender as minhas pernas seria o fim. Com minhas pernas  no ar, forcei  a planta dos meus pés contra aas suas costas  e com o outro pé chutei suas coxas . Ela sentiu  e me  soltou  . Consegui respirar um pouco , mas ela veio como um trem desembestado . Sai da frente como um toureiro, e ela foram cair em cima de uma mesa, segurei pelo pescoço, dei um pequeno salto e caímos. Puxei  então seu pescoço para traz  enquanto forçava meus joelhos em suas costas . Ela se rendeu.
                Lá fora outra voz gritou:
                - Samarra, eu te desafio.
                Não acreditei mesmo olhando a mulher junto á porta. Posso dizer que era grande e forte, mas só consegui dizer naquele momento:
                -De novo?!

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