A briga no Motel
Noeli estava na casa do seu namorado, Rogério, como fazia aos finais de semana.
Era uma mulher ciumenta e desconfiada. Rogério dava margem com seu comportamento excessivamente simpático (na visão dela) com outras mulheres.
Naquela noite, Noeli tinha um truque tecnológico: instalou um programa espião no notebook do namorado. Queria ver o que ele fazia em redes sociais e aplicativos de mensagem.
Quando amanheceu o dia, levantou devagar e desbloqueou a tela do note.
Abriu o programa espião. E viu algo que a deixou estarrecida:
Entre gracejos e cantadas em mulheres a torto e a direito, ela encontrou um conto erótico escrito por Rogério. E enviado para uma amiga chamada Fabiana.
Aquilo foi uma punhalada. Fantasiar sexo com outra mulher era uma traição dolorida. Profunda demais.
Acordou Rogério aos solavancos e berros exigindo uma explicação.
Ele enrolou, enrolou e nem a lábia de todos os dias o salvou.
Noeli pegou o celular dele e exigiu que ligasse pra Fabiana, na frente dela. E em viva voz.
Sem alternativa, ele pegou o telefone e discou o número dela.
Fabiana atendeu ainda sonolenta.
Rogério explicou que o conto erótico havia sido encontrado por Noeli.
Fabiana hesitou do outro lado da linha e ficou muda.
Noeli assumiu o telefone.
Perguntou se ela não tinha vergonha de fazer aquilo se sabia que ele era compromissado. Fabiana ainda atônita, respondia de maneira lacônica e sem firmeza.
Até que Noeli disse a frase que mudou tudo:
-- Sorte sua que você não está perto, senão iria arrebentar sua cara agora. Sua vaca!
Aquilo despertou Fabiana da letargia e da hesitação. Parecia que um vulcão havia explodido. A mulher invadia sua privacidade, xingava e ameaça de dar uma surra. Como?
Fabiana respondeu:
-- Não tenho medo de você não
Noeli retrucou:
-- Vou descobrir onde você trabalhar e ir aí quebrar sua cara
-- Pode vir - respondeu Fabiana
Rogério assistia aquilo e teve uma ideia pervertida
-- Já que vocês querem tanto sair na porrada, eu resolvo isso. Vamos para um motel nós 3. E lá vocês resolvem
Houve silêncio naquele quarto e do outro lado da linha. Que falava mais do que qualquer barulho ou grito.
-----------
Fabiana se olhava no vidro da recepção do hotel.
Sim, Rogério falou sobre motel, contudo passou o endereço de estabelecimento que ficava no centro de uma cidade no ABC paulista. As pessoas entravam a pé em sua maioria quando saíam das lojas e vinham normalmente com colegas de trabalho.
Fabiana olhava seu reflexo: via uma mulher negra, de 1,62m de altura, 60kg e 28 anos.
Ela não sabia nada sobre a rival. Claro que já havia visto as fotos dela nas redes sociais e só lembrava da tatuagem de dragão que ela tinha do lado esquerdo da barriga na altura das costelas.
Logo, um casal chegou: Noeli e Rogério.
E a figura da rival era maior: Noeli tinha 1,68 de altura, 65kg, morena de tom indígena e 45 anos. Usava um vestido preto no estilo tubo e uma sandália. Os cabelos pretos estavam soltos e passaram do ombro.
Já Fabiana usava um shorts jeans curto e uma blusinha branca de alça revelando os seios fartos. O cabelo de tranças estava solto.
Ambas se encararam em silêncio.
Noeli parecia muito decidida enquanto Fabiana sentia um tremor dentro de si.
Rogério pagou o quarto na recepção e decidiram subir de escada. O número 309 ficava no terceiro andar.
O casal foi na frente e Fabiana subiu atrás. Observava as coxas fortes de Noeli na frente subindo e revelando músculos definidos na parte de trás da coxa e nas costas.
Chegaram ao quarto e chave abriu a fechadura.
Um quarto médio com banheiro, cama grande, TV e móveis pequenos deixavam espaços vazios. Era um quarto "clean" de forma excessiva e ideal para o combate que iria acontecer.
Noeli e Fabiana não paravam de se encarar.
A jovem negra mostrava uma linguagem corporal intimidada. A morena estava com os seios empinados e o corpo definido exalando confiança.
O silêncio era cortante.
Rogério não sabia o que fazer e como agir.
Noeli começou a tirar as sandálias enquanto Fabiana tirava os brincos.
Rogério, no auge da tensão, foi ao banheiro mesmo sem vontade. O coração estava quase saltando pela boca e foi nessa hora que ele ouviu um barulho. O banheiro tinha uma fechadura que podia ser travada por dentro e por fora.
Uma delas havia trancado Rogério dentro do banheiro.
Ele começou a gritar e só ouviu a voz mais grave e madura de Noeli responder:
-- Cala a boca! Isso é pra resolver de mulher pra mulher!!!
Ele forçou a porta, bateu e nada. A porta era de vidro e transparente, só que elas estavam num ponto do quarto que não dava pra ver.
Injetando mais caos naquela atmosfera, um barulho forte de uma palma num rosto foi ouvido.
Depois outro barulho semelhante na sequência.
Havia começado a briga.
Rogério grudou o ouvido na porta tentando escutar o que acontecia.
Os barulhos "andavam" pelo quarto. Ora mais perto do banheiro, ora mais longe e perto da janela.
Tapas eram trocados com fúria ao mesmo tempo que gemidos e pequenos gritos se engoliam, um sobre o outro.
Um corpo foi empurrado contra uma parede e o barulho que parecia de um chute na coxa.
Os sons de ataques diminuíram e ficaram mais baixos, as respirações praticamente juntas e dois gritos quase simultâneos de "solta meu cabelo" ecoaram no quarto
Rogério tentava montar a cena na cabeça e imaginar o que estava acontecendo
Ouvia um baque no chão e percebeu que as duas caíram juntas e grudadas.
Começaram a rolar e trocar tapas, os sons abafados cada vez mais altos e graves. As bochechas e o rosto em geral faziam barulhos diferentes quanto golpeadas com as mãos abertas, mais agudos. Os de agora eram mais como socos pelos corpos. Uns estampido baixos, como se os golpes fossem nas costelas e barrigas.
Depois ouve uma queda. Um grito de "vem cá" e uma delas parecia arrastada pelos cabelos.
O chiar de um corpo friccionando contra o chão denunciava isso.
Rogério apurou os ouvidos para entender quem estava ganhando.
Os gemidos, antes entrecortados, ficaram mais espaçados.
E uma delas falava "já chega" baixinho.
Ele tentava identificar a voz, procurava tons mais graves e maduros ou mais juvenis.
Até que um gemido de dor não deixou mais dúvidas...
Continua.........
Nenhum comentário :
Postar um comentário