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domingo, 12 de abril de 2026

Conto: Noite de Motel!:)

Conto: Noite de Motel! 

 


 Quarto 17O neon vermelho do letreiro “Motel Paraíso” piscava irregularmente pela fresta da cortina mal fechada, jogando flashes sangrentos sobre a cama king size de lençóis baratos e amassados.Dentro do quarto 17 o ar estava pesado de perfume barato, cigarro velho e raiva pura.Camila (a loira) chegou primeiro. Camisola preta de cetim curto, alças finas já meio frouxas, pés descalços pisando o carpete encardido. Ela jogou a bolsa no canto e ficou parada, braços cruzados, esperando.Dois minutos depois a porta abriu com força.Larissa (a morena) entrou como se fosse invadir. Camisola vermelha escarlate, tecido acetinado colado no corpo suado da viagem, cabelo ainda úmido do banho rápido que tomou antes de vir. Também descalça. Os olhos já ardiam antes mesmo de cruzar o olhar com a loira.— Chegou atrasada de propósito — disse Camila, voz baixa e venenosa.— Cheguei na hora que eu quis — Larissa respondeu, chutando a porta para trás com o calcanhar. — Problema seu se não aguenta esperar.Não houve mais conversa.Elas se chocaram no meio do quarto como duas tempestades colidindo.Camila agarrou primeiro: dedos afundados nos cabelos longos e escuros de Larissa, puxando com força para trás. Larissa respondeu com um tapa aberto que estalou alto na bochecha da loira, mas não soltou o pulso que já estava preso. As duas caíram de lado na cama, o colchão rangeu alto, as molas gemeram.Rolaram.A camisola preta subiu pelas coxas de Camila, revelando arranhões antigos que ainda estavam vermelhos. A vermelha de Larissa rasgou na costura do ombro quando Camila cravou as unhas e puxou. Tecido cedeu com um som seco de rasgo. Um seio escapou, moreno e suado; Larissa nem tentou cobrir.— Sua vadia… — Larissa rosnou, mordendo o ombro da loira com força suficiente para deixar marca de dentes.Camila gritou de dor e raiva, enfiou os dedos no cabelo da morena outra vez e bateu a cabeça dela contra o colchão.


Uma, duas vezes. Larissa revidou com joelhada na costela da loira. O ar saiu dos pulmões de Camila num sopro rouco.Elas giraram de novo. Agora Larissa por cima, prendendo os pulsos da loira contra o travesseiro. Camila arqueou o corpo inteiro, tentando jogar a morena para o lado. As pernas se entrelaçaram, calcanhares raspando lençol, unhas arranhando costas, coxas, barriga. Cabelo loiro e cabelo preto misturados, voando em mechas grudadas de suor.— Me solta! — Camila cuspiu, rosto vermelho, olhos brilhando de ódio e algo mais perigoso.— Você que veio atrás de mim — Larissa respondeu entre dentes, rosto a centímetros do da loira. — Agora aguenta.Outra virada brusca. A camisola preta rasgou na lateral, deixando um rasgo longo da cintura até a coxa. A vermelha já estava pendurada por um fio no outro ombro. Pele contra pele, suor escorrendo, respirações entrecortadas misturadas com xingamentos baixos e grunhidos de esforço.Elas pararam por um segundo, ofegantes, ainda agarradas, pernas travadas, unhas cravadas na carne uma da outra. O neon lá fora piscou mais rápido, como se estivesse aplaudindo.Camila foi a primeira a falar, voz rouca, quase um sussurro:— Você ainda me deve aquela surra de dois meses atrás.Larissa sorriu torto, lábio sangrando um pouco onde a loira tinha acertado um soco.— Então vem pegar.E elas voltaram a rolar.A cama rangeu mais alto. O abajur caiu no chão com um estalo. A cortina foi puxada de lado por um braço que se debatia. O letreiro vermelho do motel continuou piscando lá fora, indiferente, enquanto dentro do quarto 17 duas mulheres em farrapos de cetim preto e vermelho continuavam tentando decidir, à força, quem ia sair por cima daquela noite.(Fim — ou talvez só intervalo até a próxima rodada.)


 

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