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domingo, 28 de junho de 2026

Conto: Sombras de Seda e Rivalidade!:)...enviado

Conto: Sombras de Seda e Rivalidade



Na elegante boutique Moda Elegance, localizada no coração do shopping de luxo da cidade, Ana e Beatriz eram as estrelas. Ambas lindas de tirar o fôlego, com corpos esculpidos por horas de academia e rostos que pareciam saídos de capas de revista. Ana, de cabelos castanhos ondulados e olhos verdes penetrantes, era a vendedora mais antiga, sempre impecável em seus terninhos justos. Beatriz, loira com mechas douradas e olhos castanhos desafiadores, era a nova sensação, carismática e ousada nas combinações de roupas.A rivalidade entre elas era o segredo mal guardado da loja. Clientes disputavam quem as atendia, comissões eram comparadas diariamente e olhares atravessados marcavam cada turno. “Você acha que só porque chegou primeiro tem dono aqui?”, provocava Beatriz. “E você acha que um rostinho bonito resolve tudo?”, retrucava Ana.Certo dia, após o expediente, quando as luzes do shopping já estavam baixas e as portas da boutique trancadas por dentro, as duas decidiram resolver de uma vez por todas. A gerente tinha deixado a chave extra com Ana para fecharem. Ninguém mais na loja. Só elas.— Chega de fingimento — disse Ana, tirando os saltos altos e jogando o blazer sobre o balcão. — Você vive me sabotando. Hoje vamos acertar as contas.Beatriz sorriu com desdém, desabotoando os primeiros botões da blusa de seda.— Ótimo. Eu também estou cansada de você se achando a rainha daqui.A discussão começou verbal, cheia de acusações: clientes roubados, fofocas no grupo de funcionárias, olhares de superioridade. Os ânimos subiram. Uma empurrão aqui, outro ali. De repente, Beatriz agarrou o colarinho da blusa de Ana.— Sua...!O tecido rasgou com um som seco. Botões voaram pelo chão de mármore polido. Ana, furiosa, revidou puxando o cabelo de Beatriz e rasgando a lateral da saia dela. As duas caíram entre os mannequins e araras de roupas, rolando pelo chão da loja vazia.Era uma luta feroz, sem regras. Elas se agarravam, puxavam cabelos, rasgavam tecidos finos de blusas e saias. O som de panos se rasgando ecoava entre as paredes. Ana conseguiu ficar por cima por um momento, prendendo os braços de Beatriz, mas esta se contorceu e inverteu a posição, derrubando uma arara de vestidos que caiu sobre elas como uma avalanche de seda e chiffon.— Você não vai ganhar! — gritava Ana, ofegante, enquanto rolavam novamente.— Nem você! — respondia Beatriz, com um arranhão no braço e a maquiagem borrada.A noite avançou. As luzes internas da loja permaneciam acesas, iluminando a cena dramática. Elas lutavam, paravam para recuperar o fôlego encostadas nas paredes, trocavam insultos e voltavam a se atacar. Roupas agora estavam em farrapos: blusas rasgadas revelando alças de sutiã, saias destruídas, cabelos desgrenhados. O chão estava coberto de pedaços de tecido, sapatos perdidos e cabides caídos.Em um momento, as duas se seguravam pelos pulsos, de joelhos, suadas e exaustas. Nenhuma conseguia dominar a outra por muito tempo. Cada vez que uma parecia vencer, a outra encontrava forças para reagir. Rolavam entre as prateleiras de lingerie, derrubavam caixas de sapatos, e o relógio da loja marcava as horas: meia-noite, uma da manhã, duas...Ao amanhecer, quando os primeiros raios de sol entravam pelas vitrines, as duas estavam deitadas no chão, lado a lado, respirando com dificuldade. Roupas destruídas, corpos marcados por arranhões leves, mas nenhuma ferida grave. Elas se olhavam, exaustas demais para continuar.— Empate... — murmurou Ana, com um sorriso cansado.— É... empate — concordou Beatriz, limpando o suor do rosto.Nenhuma havia vencido. A rivalidade não terminara, mas algo havia mudado naquela noite longa de catarse. Talvez respeito. Talvez o início de uma trégua incerta.Quando a gerente chegou pela manhã, encontrou a loja bagunçada e as duas vendedoras sentadas no balcão, ainda com as roupas rasgadas, tomando café de uma garrafa térmica que haviam encontrado na sala dos fundos.— O que aconteceu aqui?! — perguntou a gerente, horrorizada.Ana e Beatriz se entreolharam e, pela primeira vez, sorriram juntas.— Apenas... resolvendo diferenças — responderam em uníssono.A novela da Moda Elegance estava apenas começando.


 

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