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domingo, 6 de setembro de 2026

Conto: “Vizinhas em Guerra”!:)....enviado

 Conto: “Vizinhas em Guerra”

 
A noite estava quente e silenciosa no condomínio. Só o barulho distante de um carro quebrava o silêncio quando Marcelo estacionou na garagem, um pouco cambaleante. O cheiro de álcool chegou antes dele.Carla, sua esposa, já esperava de camisola clara e pés descalços na entrada da casa. Os braços cruzados, o olhar carregado de algo que ia além do cansaço.— De novo, Marcelo? — a voz dela saiu baixa, mas afiada. — Você prometeu que hoje seria diferente.Ele passou a mão no rosto, tentando se equilibrar.— Foi só umas cervejas com os meninos, Carla… não começa.— Não começa? Você chega nesse estado e eu tenho que fingir que está tudo bem? Enquanto a vizinha do lado… — ela parou, engolindo o resto da frase, mas os olhos já queimavam de ciúme.Foi nesse momento que a porta da casa ao lado se abriu. Renata apareceu na entrada da garagem, também de camisola leve e descalça, o cabelo solto. Tinha ouvido a discussão e veio ver o que estava acontecendo, como qualquer vizinha preocupada.— Tá tudo bem aí? — perguntou ela, a voz suave.Carla virou o rosto devagar. O ciúme que ela carregava há meses explodiu de uma vez.— Você… sempre aparecendo. Sempre “preocupada”. Sempre de camisola na porta quando meu marido chega.Renata franziu a testa, confusa.— Carla, eu só vim ver se precisavam de alguma coisa. Não precisa disso.— Não precisa? — Carla deu um passo à frente, a respiração ofegante. — Você acha que eu não vejo o jeito que ele olha pra você? Que eu não percebo?Marcelo tentou intervir, ainda confuso pela bebida:— Amor, para com isso…Mas já era tarde. Carla avançou. Renata recuou instintivamente, mas as duas se encontraram no meio da garagem. O que começou com empurrões virou uma luta desajeitada e intensa. Elas rolaram pelo chão frio do concreto, cabelos se misturando, camisolas se sujando de poeira, mãos segurando braços, pernas se entrelaçando na tentativa de se dominar. Sons de respiração ofegante e palavras cortadas ecoavam na garagem aberta.— Solta! — gritava Renata, tentando se livrar.— Você não vai entrar na minha vida! — respondia Carla, a voz embargada de raiva e ferida.Foi então que a porta da casa do outro lado se abriu com força. André, o marido de Renata, apareceu sóbrio, de bermuda e camiseta, os olhos arregalados ao ver a cena.— O que diabos está acontecendo?!Ele correu até as duas, que ainda rolavam pelo chão. Com firmeza, mas sem violência, conseguiu separá-las, segurando Carla por um braço e ajudando Renata a se levantar com o outro.As duas ficaram de joelhos no concreto, ofegantes, o cabelo despenteado, as camisolas amassadas e sujas. O silêncio que se seguiu foi pesado.André olhou de uma para a outra, sério.— Chega. As duas. Agora.Marcelo, ainda tonto, só conseguia observar, sem entender direito como tudo tinha chegado àquele ponto.Carla respirou fundo, o peito subindo e descendo. O ciúme ainda queimava, mas agora misturado com vergonha. Renata passou a mão no rosto, também abalada, sem entender de onde tinha vindo tanto ódio.A noite continuava quente. Mas algo entre aquelas quatro pessoas tinha quebrado — e ninguém sabia ainda como juntar os cacos.

 

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